sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Blog de FÉRIAS

Buenas indiada, após 1 ano e meio de muito causo e música nativista estamos nos bandeando para nosso primeiro mês de férias, mas podem ficar quietos, tranquilos, macios e serenos que 1 mês passa num ligeirão, é mais curto que coice de porco.

Baita abraço a todos e gracias pela parceria.

Fernando Massolini

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Mazááá - "5º Reponte" - Carreirada no Tempo

5º Reponte da Canção Crioula /
São Lourenço - 1989

Letra: Cao Guimarães (Antonio Carlos Guimarães Cunha)
Interprete: Loma

Belíssima canção interpretada há 21 anos atrás, mostrando a mulher gaúcha como grande entendedora da lida gaúcha, carreira e campo.

Carreirada no Tempo

Justaram carreira de parada morta
passado e futuro na cancha do tempo
passado de futuro de parada morta
justaram carreira na cancha do tempo

Correndo na orelha num tiro infinito

os dois parelheiros, cavalos de lei
os dois parelheiros num tiro infinito
correndo na orelha, cavalos de lei

Largaram de cepo em eras remotas
buscando horizontes depois e depois
buscando horizontes em eras remotas
largaram de cepo depois e depois...

Passado é um tordilho, cancheiro e composto
conhece o mal jogo e agüenta o tirão
o touro é um baio e solto de patas
fogoso e matreiro, veloz partidor

E dê-lhe que dê-lhe neste mano a mano
os dois vem na tala, jamais deram luz
não há desempate na raia das horas
mas há carreiristas dobrando a parada

Ao lado da cancha o povo faz festa
jogando pelegas minuto à minuto
ninguém se dá conta que a vida é só hoje
passado e futuro os dois vão perder

A Peleia da Mulher Gaúcha em Cantar o Rio Grande

por Fernando Massolini

A alguns dias atrás a parceira do blog Raquel Borba pediu para que eu escrevesse algo sobre o espaço da mulher no universo nativista, o assunto é bem complicado mas de enorme valia até porque eu nunca achei nenhum texto publicado nesse sentido.

A prenda gaúcha sempre desenvolveu papel importante na história, cultura e formação do Rio Grande do Sul, inicio a prosa com Anita Garibaldi que inclusive peleou ao lado de Giuseppe a serviço da República Rio-Grandense na Revolução Farroupilha e também foi prisioneira na Batalha de Curitibanos.

Desde a década de 80 as prendas sempre estiveram envolvidas na música nativista, nomes como Lúcia Helena, Marilene Medeiros e Loma são lembrados até hoje.
Antigamente o universo feminino ressaltava muito o pago, a família e os nossos costumes perante sociedade, uma das únicas exceções da época é a Loma, que interpretando em 1989 "Carreirada no Tempo" relatou não só as coisas simples do pago mas também o campeirismo e suas apostas numa Carreira de Época.

Hoje há duas fortes correntes femininas dentro do nativismo, a primeira é a música universal onde um ótimo exemplo é o novo trabalho da Shana Muller intitulado "Brinco de Princesa", nesse disco a Shana projeta uma linguagem mais abrangente com a música "Eu quero ser do Mundo". O segundo segmento é a música campeira de fato, essa relata lidas de campo como
tropeadas e tiro-de-laço, exemplo disso é a Juliana Spanevello com a música "Pela Querência", onde canta o campeirismo dos quatro cantos do Rio Grande do Sul, seu disco é intitulado "Pampa e Flor" e está em fase final de gravação.

Eu particularmente gosto muito dessa corrente campeira pois admiro a coragem dessas mulheres em conquistar seu espaço dentro desse universo nativista até então dominado pelo público masculino. O fato é que seja com Anita Garibaldi em 1840 ou com nossas mulheres pampeanas do século XXI, a mulher gaúcha sempre estará peleando com toda sua força em busca de um Rio Grande cada vez mais gaúcho.

Regalo texto: Fernando Massolini

CHARGE: Grama Sintética

Regalo: jornal Correio do Povo

Clicando o Pampa Gaúcho (4)

O quadro CLICANDO O PAMPA GAÚCHO abre as portas para mais um profissional na área da fotografia, o vivente chama-se Eduardo Rocha e é natural de Dom Pedrito, no decorrer das postagens já mostramos alguns regalos clicados por ele.

O Eduardo expôs nos dias 11 de junho à 30 de julho o projeto QUINCHO CULTURAL, uma mostra de imagens e esculturas totalmente voltada para o CAMPO e hoje expõem o projeto PATAGÔNIA INCRÍVEL junto ao Shopping do Porto na capital.

Para saber mais detalhes visite http://eduardorocha.fot.br.

- - - - - - - - - - - - - -


Sua foto relata a perfeição do campo, um verdadeiro sentimento de estar e ser livre, silêncio absoluto quebrado apenas pelo grito do gaúcho com o gado.

Gracias parceiro por sua contribuição junto ao blog.

A história da FOTO:

Che, esta foto foi produzida em uma das andanças do projeto Origem Crioula no qual percorremos mais de 22 mil quilômetros pelas estradas do Uruguai, Argentina, Chile e Brasil. Ocasião em que visitamos e registramos a lida com o cavalo crioulo nestes países.

Neste caso, desembarcamos em Jaguarão, cidade fronteiriça berço das exposições funcionais que deram origem ao Freio de Ouro. A parada foi na Cabanha Os Tuco-Tuco do Coronel Bayard, como é conhecido no mundo do cavalo crioulo. No fim do dia acompanhamos a lida e a recolhida do gado.

Grande abraço e obrigado pelo apoio.

Eduardo Rocha

Dois Irmãos

Causo inédito da parceira Teresina para o "Na Hora do Amargo".

por Teresina Crema

O pai já velho e cansado um dia resolveu dar uma pequena lembrança aos seus dois filhos, foi então que presenteou ambos com um cavalo, os pingos eram lindos pingos de lei, de patrão mesmo. No dia seguinte os dois viventes partiram sem saber pra onde ir, já que não sabiam nem ler e nem escrever, faltava muita ciência pra eles.

Era quase meio-dia e os tauras loucos de fome avistaram uma bodega, apeiaram, amarraram os cavalos numa sombra e de vereda pediram algo para comer, como na bodega não tinha quase nada, mataram a fome com pão e rapadura mesmo.

Prosa vai, prosa vem e o bodegueiro pediu de onde os viventes eram, o mais novo já disse que tinham ganhado os pingos como herança do velho pai e que saíram Rio Grande afora em procura de trabalho e moradia, o maior problema é que eles eram muito burros e faltava um tanto de ciência (estudo) pra eles.

O bodegueiro já vivido e louco de ligeiro logo largou que isso não era problema e que tinha uma erva buena que desenvolvia a inteligência dos viventes, era só comer a dita erva e pronto. Capaz que os dois irmãos não acreditaram, num piscar de olhos compraram a dita erva, tiraram o chapéu, agradeceram o bodegueiro de joelhos e saíram arrastando as esporas loucos de faceiros cada um com seu pacotinho. Na real a dita erva era pura salsa catada na horta da mãe do bodegueiro, de ciência aquilo não tinha é nada.

Mais duas horas de passo e galope num calor de mais ou menos trinta graus, os tauras decidiram parar numa árvore há beira da estrada para pegar uma sombra, bateu o sono e os viventes dormiram ai mesmo, em cima dos pelegos e na sombra fresca por demais, as tal das ervas, essas os cavalos comeram só de aperitivo enquanto os bonitos dormiam.

Ao acordar o mais velho percebe que as ervas já eram, depois de muita peleia entre os irmãos só restou voltar a bodega para comprar mais erva. Chegando a bodega levaram uma baita surpresa, o bodegueiro não tinha mais a tal da erva, mas bem sério já saiu com a prosa que era fácil resolver o problema, eles deviam prestar atenção nos cavalos e quando eles dessem uma boa cagada, bastava comer a merda aos poucos, assim a inteligência passava toda pra eles.

O mais novo saltou louco de ligeiro gritando que ser burro ele até concordava mas chegar ao ponto de comer merda, isso nunca, vamos ficar do jeito que somos mesmo.

E assim os dois viventes continuaram a lida rumo ao que seus destinos lhe aguardavam e pensar em ficar inteligentes nunca mais entrou em seus planos.

Regalo causo: Teresina Crema
Regalo linguagem: Fernando Massolini
Regalo foto: Paulo Hafner

Mazááá - "21ª Gauderiada" - Milongão pra Sovar Tentos

21ª Gauderiada da Canção Gaúcha /
Rosário do Sul.

Intérprete: Kininho Dorneles

Milongão pra Sovar Tentos

Ao pontear essa guitarra
sovo tentos de milongas
encontro notas nas cordas
no alambrado do violão
sigo sovando meus versos
pra cantar nas noites longas
que cercam almas campeiras
na invernada da canção

Ao pontear essa guitarra
que tenho presa nos braços
lembro do lombo do flete
aonde sento meus bastos
te canto velha milonga
expressando sentimentos
trançando laços bem fortes
com esses sovados tentos

Eu te ponteio milonga
sovando essas cordas cruas
assim me faço cantor
cantando claves de luas
sem deixar de trançar tentos
sou cantor, sou guitarreiro
vou domando sentimentos
pois sou gaúcho e campeiro

Ao dedilhar essas cordas
revivo tombo de um pealo
a polvadeira que ergue
ao resbalar de um cavalo
ao dedilhar essas cordas
com sentimento e estilo
vejo o brilho dos teus olhos
na melodia dos grilos

Que se encontras tocante
como um clarão de dois gumes
na luz fugaz e brilhante
do passear dos vagalumes
que vou junto a cadência
no pontear desse alambrado
enquanto sovo outras novas
nos roncos do mate amargo

Eu te ponteio milonga
sovando essas cordas cruas
assim me faço cantor
cantando claves de luas
sem deixar de trançar tentos
sou cantor, sou guitarreiro
vou domando sentimentos
pois sou gaúcho e campeiro

POESIA: O Gaúcho

Poema inédito da parceira Teresina para o "Na Hora do Amargo".

por Teresina Crema

O gaúcho acorda cedo
E bota água na chaleira esquentar
Ao lado da linda prenda
O gostoso chimarrão vai tomar

Enquanto a cuia passa de mão em mão
O gaúcho recorda as festanças
O churrasco da velha tradição

Depressa vai encilhando o cavalo
Com o nome de Picasso
Um beijo grande na chinoca
E pros amigos aquele abraço

O chapéu de aba larga
Bombacha, bota e espora
Lá vai o gaúcho alegre
Por este Brasil afora

Com o laço pendurado
Para o que der e vier
Se não consegue laçar o gado
Laça o coração da linda mulher

Travessa será e fronteira
Pra velha estância se vai
Matar a grande saudade
Dos irmãos e seus pais

Cansado deita na rede
E se abraça no velho violão
Não consegue esquecer a chinoca
Que entrou no seu coração


Regalo poesia: Teresina Crema
Regalo foto: Jackson Coelho (http://jackdesenhos.arteblog.com.br)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Mazááá - "15ª Reculuta" - Aporreados

15º Reculuta da Canção Crioula /
Guaíba

Intérprete: Vitor Scouto

Aporreados

Alguém já disse que na estância do arvoredo
onde o peão não leva medo e a potrada é caborteira
tem um ventana teimando em bufar no pasto
arranca o cuera do basto e sambuia na polvadeira
é nos rodeios que o capataz desta estância
traz ginetes de confiança pra encenar nesta tropilha
o "Nero Caco" amadrinha no atropelo
o "Maiá" monta no pêlo e no basto quitanija

Nem bem clareia já têm lida campo afora
rangindo boto as espora, se vão botando currete
curando gado ou recorrendo algum potreiro
no sagrado chão campeiro onde se nasce ginete

Têm pela unha "Passarinho" e "Bota fora"
muita bóia praz esporas se o campeiro for bem macho
saca o buçal e o "Urco" sai que é um foguete
já despachando o ginete com garra e tudo pra baixo
"Paulo Capeta" um taura que se garante
toma conta do palanque, não liga pra o tempo feio
pega o cabresto, escapa de um manotaço
afirmando que no braço parte um beiçudo no meio

Nem bem clareia já têm lida campo afora
rangindo boto as espora, se vão botando currete
curando gado ou recorrendo algum potreiro
no sagrado chão campeiro onde se nasce ginete

"Farroupilhas: ideais, cidadania e revolução."

Tema Anual da Semana Farroupilha
"Farroupilhas: ideais, cidadania e revolução."


A proposta de trabalho para o tema de 2010 é representada através de três aspectos:

- Os ideais: explorar as razões que levaram os farroupilhas a se colocarem em posição antagônica ao Império. Questões como os altos impostos sobre a terra e sobre a produção de charque, a idéia de República e de Federalismo, o direito de escolher (eleger) os representantes políticos, o direito ao tratamento homogêneo entre os servidores militares.

- A cidadania: os farroupilhas enquanto cidadãos, com famílias, com propriedades, com direitos civis, com deveres de cidadãos. A questão da falta de escolas e do analfabetismo. A questão do trabalho campeiro. Destacar momentos de lazer e descontração com jogos, bailes, carreiras, e explorar a questão da religiosidade através da presença da Igreja católica nas questões políticas, dos casamentos e batizados.

- a Revolução: a decisão extrema de pegar em amas para fazer valer direitos cidadãos e para alcançar os ideais que os moviam. Mostrar a movimentação das tropas no território, destacar a vida nas três capitais farroupilhas.

Nesse contexto destacamos as figuras mais importantes da Revolução, tais como:

- Bento Gonçalves da Silva
- Antônio de Souza Netto
- José Gomes Vasconcelos Jardim
- Onofre Pires da Silveira Canto
- Joaquim Teixeira Nunes
- David Canabarro
- Antonio Vicente da Fontoura
- Domingos José de Almeida
- Manoel Lucas de Oliveira
- José Mariano de Matos
- Padre Francisco da chagas Martins de Ávila e Sousa
- Padre Hildebrando de Freitas pedroso

Os estrangeiros:

- Giuseppe Maria Garibaldi
- Luigi Rosseti
- Tito Livio Zambecari
- John Pascoe Grenfell

O objetivo é mostrar tanto os aspectos revolucionários quanto os aspectos de cidadãos e suas famílias fazendo aparecer no cenário às mulheres que, de uma forma geral, são esquecidas pela historiografia.

Podemos trabalhar o desfile temático em 10 invernadas teatralizando:

01. A vida em família;
02. O trabalho: lida do campo e charqueadas;
03. A religiosidade: presença do padre, o casamento e o batizado;
04. As festas: um fandango, a chula, a tava e o truco;
05. Os ideais farroupilhas: assembléia provincial e as lojas maçônicas;
06. Apresentação dos líderes, com suas características;
07. Os estrangeiros engajados na idéia republicana;
08. A revolução: três capitais farroupilhas – Piratini, Caçapava do Sul e Alegrete;
09. A proclamação da república, a bandeira e o hino;
10. Os líderes e seus destinos no pós Revolução.

Regalo: Pitchan Pilchas (pithanpilchas.blogspot.com)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Clicando o Pampa Gaúcho (3)

Nossa terceira postagem do quadro "Clicando o Pampa Gaúcho" é um baita regalo que retrata perfeitamente a lida com o gado.

Fotografia tirada pela parceira e leitora diária do blog Raquel Borba, a gaúcha não é fotógrafa profissional mas têm o dom pra coisa, prova disso são suas fotos do orkut como lidas de campo, gaúcho, cavalo e cusco

Muchas gracias pela parceria.

A história da FOTO:

Essa foto foi tirada em dezembro de 2008 em nossa estância na cidade de Rio Grande. No momento estavamos levando o gado para vacinar.

Na égua tordilha (esquerda) é meu pai Edy Borba e no cavalo preto (a direita) é meu irmão Daniel Borba.

Legal fiquei contente por minha foto, obrigada.

Raquel Borba Pires

Exijo ser Tratado como Bandido

por Gilberto de Oliveira Kloeckner
professor da UFRGS

Nos últimos meses, a minha família tem se dedicado a cumprir a profecia do Paulo Sant’Ana: aquela de que você ainda será assaltado. Entre um boletim de ocorrência e outro, corridas a bancos para cancelar os cartões de crédito, esperas em antessalas de delegacias e seguradoras, tenho tido algumas ideias como, por exemplo, distribuir senhas para os meus assaltantes ou instalar uma porta giratória lá em casa para facilitar a entrada e saída dos meliantes. Talvez estes procedimentos tragam um pouco de ordem e conseguirei algum progresso para sair deste caos. Ordem e progresso... já li isso em algum lugar? Bem, mas não vem ao caso. Vamos ao que interessa.

O que eu realmente quero é ser tratado como bandido neste país. Exijo os mesmos direitos constitucionais. Não deixo por menos. Quero isonomia de tratamento. Explico. Primeiramente, quero ter o direito de ir e vir livremente, a qualquer hora do dia ou da noite, caminhar pelas ruas e parques, sem preocupações, e não viver mais com medo, atrás de grades e barras de ferro. Igualzinho aos bandidos.

Exijo, também, ter o direito de defender a minha família e o meu patrimônio com armas apropriadas. Atualmente a legislação só permite que eu utilize em minha defesa uma faca de pão (com lâmina inferior a 10 centímetros) e um cabo de vassoura. Usados com muita moderação. Ai de mim se eu machucar o meliante! Aí sim eu vou sentir na pele o que é o rigor da lei brasileira. Quero ter uma arma de verdade, adquirida livremente no comércio local, sem necessidade de porte, exame de tiro, psicotécnico e pagamento de taxas. Quero também poder usá-la e não precisar estar ferido pelo arrombador, dentro da minha própria residência, para começar a defesa da minha vida. Enfim, tudo aquilo que não se aplica aos bandidos não deve ser aplicado a mim.

Tem mais. Não quero mais pagar imposto sobre o produto do meu trabalho (aquilo que os meus ex-alunos, hoje na Receita Federal, teimam em chamar de “renda”). Bandido não é tributado, não paga imposto sindical nem conselho regional. Exijo o mesmo tratamento fiscal. E, se por acaso eu ficar impedido de trabalhar, gostaria que meus filhos e esposa recebessem uma pensão do Estado, todo o santo mês, igualzinho aos filhos e esposas dos bandidos. Afinal, minha família também merece um tratamento assim, justo e diferenciado. E digo mais: cairia muito bem um acompanhamento de alguma ONG de direitos humanos para fiscalizar o processo e cuidar do nosso bem-estar.

E, se um dia eu vier a dar entrada no Pronto Socorro com algum ferimento grave, gostaria de ter a mesma prioridade no atendimento que os criminosos. Afinal, eu ainda pago imposto (o que eu espero seja extinto em breve) e faço, como professor, a minha contribuição para o desenvolvimento desta florescente economia. Mas, se algum dia, por um infortúnio eu vier a cometer algum ato ilícito e for preso, espero ter um apoio jurídico gratuito imediato e que a área judiciária tenha a mesma consideração comigo, liberando-me rapidamente. Afinal, eu tenho coisas mais importantes a fazer na vida como esta, a de buscar igualdade de tratamento perante a lei com os meus compatriotas contraventores. Afinal, é meu direito constitucional.

Regalo: jornal Zero Hora

Exílio

por Pedro Du Bois

No exílio de mim mesmo

passeio tranquilas saudades

em parques verdejantes. Viajo florestas

e mares. Estou na solidão da espera:

avisto navios ao longe.

Não tenho curiosidade em aportar

ao marujo e pedir noticias.

Não é minha hora de chegada.

Retorno na calmaria: ondas

maravilham a terra escorraçada,

meu corpo ilhado em pedras.


Chegar é mistério atravessado ao fio

do desencontro.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

GURI DE URUGUAIANA amanhã em Passo Fundo

“Guri de Uruguaiana” é atração AMANHÃ em Passo Fundo

No dia 6 de agosto, Passo Fundo receberá o humorista Jair Kobe, com o espetáculo “Guri de Uruguaiana”. A apresentação, que tem apoio do Arte Sesc, acontecerá no Igaí Eventos (Av. Presidente Vargas, 1121), às 20h30. Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 25 por estudantes e idosos, a R$ 30 pelo público em geral – antecipado - e a R$ 50 pelo público em geral – na hora. O espetáculo também contou com ingressos promocionais para comerciários, a R$ 5, que já foram comercializados.

A peça conta a história do Guri, que cansado das mulheres “Melancia” e “Moranguinho”, ameaça lançar a Mulher Charque, sua própria patroa. Acompanhado do seu fiel escudeiro, o “gaúcho emo” Licurgo, Jair Kobe empolga a plateia com o “Funk do Guri”. As versões do Canto Alegretense estão cada vez mais divertidas. A cada apresentação um convidado especial: Elton Saldanha, Wilson Paim, Elaine Geissler, Rui Biriva, Daniel Torres, Neto Fagundes e outros. Um espetáculo alegre para todas as idades no qual o Guri de Uruguaiana dança e conta causos hilários, como o do tempo em que era viciado em erva mate.

Regalo: blog Pithan Pilchas (pithanpilchas.blogspot.com)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

DO LEITOR - ZeRo HoRa ->>> Eleições

PREFERÊNCIAS
por José Luiz Machado
(funcionário público)

As ligações do PT com os narcoguerrilheiros das Farc deveriam ser seriamente investigadas, pois sua afeição por Chávez, Ahmadinejad e outros ditadores, e o sonho de instalar uma censura à imprensa e o controle do Judiciário comprometem nossa jovem democracia.


CANDIDATOS
por Iolanda Carbunck
(jornalista)

Pobre país que tem como candidatos “celebridades questionáveis“como a Mulher Pera, Mulher Melão, Tiririca, Popó, Maguila e outros mais. Isto evidencia que não temos partidos políticos ideológicos, mas ambições pessoais e não propostas moralizadoras.

Regalo: Jornal ZERO HORA

Cada um Apeia do Jeito que Quer (4)


por Mirelli Corrêa


TONTEANDO AS IDÉIA


Eu tive um tombo bem feio, mas pensa num tombo feio mesmo.

Olha só o fiasco...

Tinha levado uma vacina que dava reação e eu nem fiz conta e fui treina.

Mas esse é mto decepcionante...

Tipo o boi corto a frente do cavalo e o cavalo quebro pro lado na hora...

E tava ligeiro, eu tontiei as idéiaa e me fui!!!

Caí de costa e não conseguia respirar, dai correram lá me acudir. ahhahha

Me esfolei toda, tenho até hoje a marca nas costas.

E foi assim que eu apeiei!

Mazááá - "25º Carijo" - Entre Domas e Tentos

25º Carijo da Canção Gaúcha /
Palmeira das Missões - 2010

Intérprete: José Ricardo Maciel Nerling

Entre Domas e Tentos

Vejo horizonte da janela do galpão
e o sol nascendo sobre o manto das flechilhas
recosto a cuia, ato esporas garroneiras
e acordo as garras pra o ritual bueno da encilha

Assim desperto praz horas de lá bruta
manhã de geada num finalzito de maio
buçal, mango e peiteira
me vou pra mangueira onde me espera um potro baio

Este mundo que Deus me deu por regalo
têm dois lados, lida bruta e sentimento
ser doce e manso pros cabrestos de uma prenda
ser duro e rígido por entre domas e tentos

Final do dia depois de muito trabalho
chego no rancho, dou folga pra o pingo bragado
e no galpão vou remendando a velha cincha
tirando uns tento daquele couro estacado

Fim de semana ato a boca de um tostado
de pura estampa pra sentar os meus arreios
rumo ao povoado faceiro vou a passo lento
ver a morena e dar basto aos meus anseios

Este mundo que Deus me deu por regalo
têm dois lados, lida bruta e sentimento
ser doce e manso pros cabrestos de uma prenda
ser duro e rígido por entre domas e tentos

Festa Campeira de INVERNO em Ibirubá / RS

Inter-regionais do ENART 2010

A inúmeros pedidos da gauchada classificada pro ENART, segue abaixo o sorteio realizado ontem das inter-regionais de Soledade, Venâncio Aires e Porto Alegre:

Inter-regional de SOLEDADE

01 - Tebanos do Igai
02 - Campo dos Bugres
03 - Clube Farroupilha
04 - Guapos da Agronomia
05 - Heróis Farroupilha
06 - Ronda Charrua
07 - Velha Carreta
08 - Herdeiros
09 - Julio de Castilhos
10 - Lalau Miranda
11 - Sentinela do Pago
12 - Galpão Amigo
13 - Continente
14 - Aldeia Farroupilha
15 - Laço Velho

Inter-regional de VENÂNCIO AIRES

01- DTG Souza Cruz
02 - Presilha do Pago
03 - Farrapos
04 - Candeeiro Crioulo
05 - Lanceiros de Santa Cruz
06 - Negrinho do Pastoreio
07 - Thomaz Luis Osório
08 - Teatinos
09 - Sepé Tiaraju
10 - Rincão da Alegria
11 - Carreteiros do Sul
12 - União Gaucha


Inter-regional de PORTO ALEGRE

01 - Mbororé
02 - Caiboaté
03 - Porteira Velha
04 - Vaqueanos da Tradição
05 - Raízes do Sul
06 - João Sobrinho
07 - Querencia de nova hartz
08 - Chaleira Preta
09 - Potreiro Grande
10 - Ivi Maraé
11 - Armada Grande
12 - Estancia Gaucha
13 - Gildo de Freitas
14 - Estancia da Serra
15 - Lenço colorado
16 -Gerciliano
17 - Guapos do Itapuí

Agradecemos a colaboração do gaúcho Leandro Barbosa peão do CTG Gildo de Freitas 1ªRT e do site galpaogaucho.forumbrasil.net

Edson Vargas e Grupo Quarteto Coração de Potro

Buenas indiada, olhem como o esquema funciona, enquanto um rapaz criado em bombacha dentro de CTG's vira as costas para sua cultura partindo para o tchê music outros jovens artistas barrigas verdes se unem e aquerenciam-se Rio Grande adentro para cantar nosso chão.

Estamos na boa, enquanto perdemos um, ganhamos quatro e assim que têm que ser. O grupo que me refiro é batizado como "Grupo Quarteto Coração de Potro" e é formado por Índio Ribeiro, Vitor Amorim, Kiko Goulart e Michel Martins.

Esses jovens começaram suas carreiras como intérpretes na SAPECADA em Lages, topo da serra catarinense. O trabalho foi gravado em Pelotas e as composições são de Rogério Villagran, Ramiro Amorim, Márcio Nunes Correia, Élvio Casalin e Fabiano Bachieri.

Outro CD que vale muito a pena lembrar é o do Edson Vargas, esse ao contrário dos demais já têm uma carreira sólida, o gaúcho nascido em Alegrete lança seu 18º CD, onde 15 são em parceria com os MATEADORES, grupo em que ele pertencia e 3 são de carreira solo.

Estão ai 2 trabalhos com muita música campeira e nada de tchê music.

Recomendo.

Lenda do Lobisomem no Cemitério

Tchê, mais ou menos nos anos de 1970, pros lados de Rio Grande atuava o tal do Lobisomem do Cemitério.

A indiada que passava de a cavalo tarde da noite por lá, contava que um bicho aparecia derrepente perto da meia noite. Quando o índio passava, ele se boleava do alto muro do cemitério e assustava cavalo e ginete.

Os que eram assustados por ele juravam de pé junto que o tal do bicho era meio homem e meio animal.

Foi apartir dessa lida que a indiada começou a acreditar que se tratava de um lobisomem. Além do más quando esse bicho se boleava pra cima do muro ele sempre gritava um sapucai.

Na frente do tal cemitério tinha uma empresa de Viação Férrea, o vigia era um índio véio com uns 3 metro do altura que não acreditava nessas lidas do lobisomem e então resolveu vigiar o tal do cemitério.

Logo que deu meia noite em ponto ele ficou atento a tudo em sua volta, foi ai que ele ouviu um sapucai muito alto bem no instante que uma senhora passava na frente do cemitério e de vereda o lobisomem se boleo pra cima do muro. O tal do índio véio meteu bala e o bicho saiu em disparada.

Desse dia em diante ninguém mais ouviu falar do tal do lobisomem, mas como nada dura para sempre, qualquer dia desses ele pode voltar com seu sapucai e assustar novamente a gurizada de Rio Grande.

Regalo versão campeira: Fernando Massolini

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Lista de FESTIVAIS - agosto/2010

Indiada, com esse frio de resguear cusco iniciamos a maior temporada de festivais Rio Grande à fora.

Uma boa dica pra quem está pros lados de Sapucaia é presenciar o "20º Guyanuba da Canção" que começa agora no sábado dia 07. Inclusive terá participação de nomes já muito bem premiados em festivais como João de Almeida Neto, Robledo Martins, Nilton Ferreira e Délcio Tavares.

Falando em Délcio Tavares, ele esteve aqui em Serafina Corrêa se apresentando no Sábado, interpretou músicas clássicas da Coxilha e também algumas clássicas italianas. Muito grandioso o show.
- - - - - - - - - - -

Abaixo músicas classificadas para o 20º Guyanuba e também o calendário de FESTIVAIS - agosto/2010:
CLASSIFICADAS

*De Versos e Prosas
Letra - Carlos Moacir Rodrigues
Música - Beto Caetano

*Gateado Frente Aberta
Letra e Música - Telmo de Lima Freitas

*Jeito Gaúcho
Letra - Eron Carvalho
Música - João Chagas Leite
Intérprete - João Chagas Leite

*Rio Andejo
Letra - João Stimamilio
Música - Carlito Magallanes e Osmar Carvalho

*Zeca Muleiro
Letra - Hermes Lopes
Música - Érlon Péricles

*Cruzando o Tempo
Letra - Juca Moraes
Música - Anderson M.
Intérprete - Miguel Marques

*Chuva de Espera Letra - Arabi G.
Música - José L. dos Santos e Délcio Tavares
Intérprete - Délcio Tavares

*Estrela Nova
Letra - Carlos Omar Vilella Gomes
Música - João Bosco Ayalla
Intérprete - Robledo Martins

*Quando o Céu Chora Saudade
Letra - Rômulo Chaves Música - Nilton Ferreira
Intérprete - Nilton Ferreira

*De Idéia Gasta
Letra - José Carlos Batista de Deus e Eduardo Muñoz
Música - João Bosco Ayalla
Intérprete - Robledo Martins

Calendário FESTIVAIS - agosto/2010
Regalo lista e calendário: Aline Ribas
(http://osfestivais.blogspot.com)

Uma das Lendas da Erva Mate

Contam que um guerreiro guarani, que pela velhice não podia mais sair para as guerras, nem para a caça e pesca, porque suas pernas trôpegas não mais o levavam, vivia triste em sua cabana. Era cuidado por sua filha, uma bela índia chamada Yari, que o tratava com imenso carinho, conservando - se solteira, para melhor se dedicar ao pai.

Um dia, o velho guerreiro e sua filha receberam a visita de um viajante, que foi muito bem tratado por eles.

À noite, a bela jovem cantou um canto suave e triste para que o visitante adormecesse e tivesse um bom descanso e o melhor dos sonos.

Ao amanhecer, antes de recomeçar a caminhada, o viajante confessou ser enviado de Tupã, e para retribuir o bom trato recebido, perguntou aos seus hospedeiros o que eles desejavam, e que qualquer pedido seria atendido, fosse qual fosse.

O velho guerreiro, lembrando que a filha, por amor a ele, para melhor cuidá-lo, não se casava apesar de muito bonita e disputada pelos jovens guerreiros da tribo, pediu algo que lhe devolvesse as forças, para que Yari, livre de seu encargo afetivo, pudesse casar.

O mensageiro de Tupã entregou ao velho um galho de árvores de Caá e ensinou a preparar a infusão, que lhe devolveria as forças e o vigor, e transformou Yari em deusa dos ervais, protetora da raça guarani.

A jovem passou a chamar-se Caá-yari, a deusa da erva-mate, e a erva passou a ser usada por todos os componentes da tribo, que se tornaram mais fortes, valentes e alegres.

Regalo publicação: blog do Rogério Bastos (rogeriobastos.blogspot.com)

Quando a seca vai embora

por Paulo Mendes

Seu Isidoro e o Tunico voltavam ao tranco, do fundo da estância, numa tarde abafada de um abril que se arrastava triste e seco. Naquele ano ainda não tinham visto uma boa chuva. Os animais penavam e morriam à míngua pelos campos desertos. O Arroio da Onça estava pura pedra, nem um pingo d''água. Nesse dia tinham sentido o cheiro nauseante das carniças estendidas no capinzal ressecado. Vista do alto, a corvada sinistra desenhava, cá embaixo, perfis de morte. Seu Isidoro, o capataz, era um mulato calejado, beirava os 60 anos, montava um mouro suado cuja garupa mais parecia uma anca de vaca. Trazia os olhos marejados, um lamento particular pela bicharada magra. Dom Amado havia dito no domingo que, se a estiagem durasse, não sabia o que iria ser de todos. Tunico, mais jovem, nem assobiava como de costume. Botara a perna com a bombacha arremangada por sobre os bastos e afrouxara as rédeas da bragada. Vinha com o chapéu na mão, abanando a cara indiática e as melenas compridas. Estava de pouca charla, pois um terneirinho recém-parido morreu desnutrido na invernada do meio.

Ao cruzarem a porteira grande antes das casas, viram pro lado do poente, uma barra escura que se ergueu no horizonte. Olharam-se e pressentiram que a seca, enfim, estava indo embora. O capataz puxou a imagem da santa do bolso da guaiaca, ao lado do relógio Tissot, beijou-a três vezes e fez o sinal da cruz. Tunico tentava escutar algo, mas nada... nem as cigarras. Um silêncio de igreja tomou conta dos campos assim, de repente, e um bando de pássaros passou aflito, riscando a copa do arvoredo. Lá longe, o céu lançava punhaladas avermelhadas na terra, e agora já dava pra se escutar o trovejar incessante das nuvens, numa convulsão de berros e de ventos.

Começavam a desencilhar quando o aguaceiro despencou. Era uma chuva forte, grossa, guasqueada pela ventania, que logo foi empoçando no terreiro castigado pela ressolana. Com a chegada da água, a noite parece que se fez doce no olhar das crianças, dos adultos e dos velhos. O cavalo baio cabos negros, Crioulo de lei do patrão, relinchou escaramuçando no Piquete do Umbu. Ah, quando o tempo desaba, o estio se acaba e o ciclo recomeça. Mas não são apenas as plantas que ficam sedentas, as almas dos viventes não são diferentes, sofrem e também se ressecam. A chuva lava as ânsias, o pampa ressurge e se refaz esverdeado. As flores guaxas renascem nas várzeas alagadas, os bichos se animam e os braços possantes se levantam para resgatar as searas perdidas. E tudo se acalma, remoça e se ajeita depois das tormentas...

Regalo foto: Jairo de Souza
Regalo publicação: jornal Correio do Povo

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Clicando o Pampa Gaúcho (2)

Na segunda postagem do quadro "Clicando o Pampa Gaúcho" homenageamos o fotógrafo e grande parceiro do blog Mauro Heinrich que vem fazendo um ótimo trabalho não apenas retratando o rio grande mas também na edição das fotos.

Quem quiser conhecer melhor o trabalho do Mauro acesse seu Flickr CLICANDO AQUI.

A história da FOTO:

A foto foi tirada na frente do nosso ctg aqui em Ibirubá, foi perto do meio dia de um sábado. A sede fica a umas 5 quadras do centro, tem uma parte que tem uma cerca com uma porteira e naquele dia estávamos nos organizando pra sair numa cavalgada.

Cavalo daqui encilha dali o ctg virou quase um acampamento e eu num momento de inspiração vi pendurada lá e me lembrei da poesia a qual postei no flick junto com a foto.

Ibirubá é uma cidade pacata de 20 mil habitantes, muito boa e com uma qualidade de vida excelente.

Um fraterno abraço amigo velho e tamo aí pro que tu precisá.

Mauro Heinrich

Mazááá - "11ª Sapecada" - De Sebo e Cravador na Mão

11ª Sapecada da Canção Nativa /
Lages

Intérprete: Alberto Ventura Neto

De Sebo e Cravador na Mão

Sigo esquinando o tempo
trançando meu pensamento
assobiando uma canção
fazendo tralhas campeiras
laço, corda, garroeira
e sou mestre em botão
vou buscando meu futuro
ponteando um couro duro
sempre cravador na mão
quando morre um matungo
só permanece no mundo
a louca e os garrão

Perdi meu fiel amigo
num dia de assombração
era sexta-feira santa
dia em que o galo não canta
e não se varre o galpão

Então me bate a saudade
ao ver num final de tarde
o seu coura estaquear
na carreira ou na cria
sempre me deu alegria
fico triste em lembrar
do meu baio encerado
que na costa do banhado
morreu ao escramuçar
botou as mão no buraco
quebrou o pescoço no ato
não pode mais levantar

Perdi meu fiel amigo
num dia de assombração
era sexta-feira santa
dia em que o galo não canta
e não se varre o galpão

Os Cumpadres: Guerra dos Farrapos

Regalo: Márcio Machado Diemer

Resultado da 30ª COXILHA NATIVISTA

Foi realmente uma flechada certeira: "O arco e a flecha", de Carlos Omar Villela Gomes e Piero Ereno, com Pirisca Grecco acertou a pontaria e foi a grande vencedora da 30.ª Coxilha Nativista de Cruz Alta, conhecida pouco depois das 2 horas da madrugada deste domingo. Além do primeiro lugar, levou o prêmio de Melhor arranjo vocal e Melhor letra.

*FASE GERAL

-1º LUGAR / MELHOR LETRA / MELHOR CONJUNTO VOCAL:
"O arco e a flecha" - de Carlos Omar Villela Gomes e Piero Ereno, com Pirisca Grecco (Santa Maria)


-2º LUGAR / MELHOR MELODIA / MELHOR INTÉRPRETE:
"Sem tempo" - música de Emerson Martins e letra de Rômulo Chaves, com Emerson Martins (São Vicente do Sul)


-3º LUGAR:
"Encontro de gerações" - de Adair de Freitas, que também foi o intérprete (Santana do Livramento)


-MELHOR INDUMENTÁRIA: grupo que defendeu "Encontro de gerações", de Adair de Freitas
-MELHOR ARRANJO: "Sonho matreiro" – de Gilberto Lamaison e Gabriel Lucas dos Santos "Selvage", com Pirisca Grecco (Não-Me-Toque)
-MELHOR INSTRUMENTISTA: Texo Cabral
-MÚSICA MAIS POPULAR: "Encontro de gerações" - de Adair de Freitas, que também foi o intérprete (Santana do Livramento)

*FASE LOCAL

-1º LUGAR: HÁ UM JEITO DE SER DO SUL - de Jorge Nicola Prado e Edson Macuglia, com Fabiana Lamaison de Moraes
-2.º LUGAR: MENINO DA RUA - de Rubens Dario Soares e Carlos Machado, com Tuny Brum
-3º LUGAR: PRA REPONTAR A ESPERANÇA - de Maria Iliria Peres Barreto e Beto Barcellos, com Vinícius Franco Hoch

Regalo texto: ABC do Gaúcho / Jornal NH (Tânia Goulart)
Regalo foto: Alessandro Oliveira

Cada um Apeia do Jeito que Quer (3)



por Éder Pinheiro


PEALO FEIO


Certa feita num rodeio em Quicé-quitandinha, final do rodeio e eu enciliei um cavalo tostado que eu tinha,ja era de tardezinha e o sol ja ia sumindo,tinha mais de 15 km de estrada ate o rancho, mas quando ausei uma perna, me passa um indio meio borracho com seu cavalo em disparada e bateu na boca do meu cavalo,o cavalo se assusto e se bolio na hora,eu cai e o cavalo ia cair em cima de mim mas graças a deus eu consegui rolar e ele caiu do meu lado, meu primo conseguiu pega ele mas pego pelo freio ao inves da redea e ele se bolio de novo. Eu não sabia se pegava o cavalo ou procurava meu punhal de prata,achei o punhal, mas uns 2 mes depois perdi pra policia.

Mas com a graça no final chegamos bem no rancho,bem borracho, mas chegamo e hoje ainda tamo na lida e sempre que da se boliamo no lombo de um aporeado seja em rodeio,na lida ou no campo.ah, o punhal ganhei outro de presente, mas bueno e maior que outro,mas uso so pra carnia.abraços,quem sabe um dia se encontramo pelos rodeios da vida.

Fiquem com DEUS sempre....

Breve Passeio pela Arte Gaúcha

Texto exclusivo da Tânia para o "Na Hora do Amargo".

Em cada email da Tânia, sempre há uma prosa rica em cultura e regionalismo, parceira que atribui ao blog um tom especial e diferenciado.

Baita regalo, valorizando os artistas que pintam a nossa gente.

Muchas gracias pela parceria.

- - - - - - - - - - - - - - - -

por Tânia Du Bois

“Sombra da obra / nova / projetada / sobre a cultura /

anterior / obscurece / engloba / transforma / ilumina”.

(Pedro Du Bois)


Em um passeio tradicional pelas amostras de artes, uma coisa chama a atenção: os quadros são lindos e poéticos. Além da beleza, eles têm a expressividade que encanta pelos sentidos e pela qualidade, refletindo culturalmente os gaúchos.

Numa amostra da arte gaúcha, na tendência marcada por questões e inquietudes sociais, entre outros artistas, destaco Maria Lídia Magliani, Soriano e Érico Santos. São chamados pela crítica especializada como “excelências, artistas da cultura”.

Eles transmitem em suas obras o retrato da alma gaúcha, dos tropeiros que se tornaram cidadãos do mundo, sem perder a essência da brasilidade.

Nas paisagens de Soriano, encontramos o sentido da revelação, em que as tintas passam a dar significado “as estâncias e fazendas”.

Em Érico Santos, particularmente, destaco a pequena grande tela intitulada “Cavaleiros”, representando em seus personagens a riqueza cultural do Rio Grande do Sul.

E Magliani, com seu “Personagem Urbano", mostra-nos a vitalidade da expressão.

Percorrer esses caminhos da arte é vivenciar e apreciar o elo criativo entre obras de períodos diversos. As imagens e as cores espreitam o momento para romper os limites, extravasando a imaginação pelo espaço e o tempo.

A presença desses artistas representa pequena amostra, como subsidio para conhecermos, por outras vias, as artes plásticas gaúcha.

Carlos Martins escreveu que “o que tudo isso reflete, evidentemente, é uma concepção de arte que não se preocupa em andar na moda – e sim em encontrar e conquistar seu próprio espaço”.

Mazááá - "11ª Sapecada" - Tento a Tento

11ª Sapecada da Canção Nativa /
Lages

Intérprete: Angelo Franco

Tento a Tento

Se despediu o meu laço num fim de tarde por farra
caúna! Justo num pelao bem jogado de cucharra
pegou as mãos feito um raio que o oito tento jogou
firmei na cincha do baio e laço então rebentou

O laço partiu ao meio se rebentou tento a tento
o potro se ergueu no pasto disparando contra o vento
num jogo que eu sempre ganho talvez por dó ou capricho
a vida velha traiçoeira deu a vitória pra o bicho
deu a vitória pra o bicho

Oiga-lê vida traiçoeira pealadora de mão cheia
meu tombo vem de cucharra mas não vou trocar as oreia
se caio num tombo feio, perco a pose e não a fé
que mais rápido que um tigre galo bom fica de pé

Por vezes levanta poeira, cada tombo que se leva
até o sol mais entonado um dia some na treva
se refuga, se dispara, se bisca o lado da grota
se ganha um laço na cara e o chão sumindo das bota

Mas não hay que levar susto, nem se encolher acoçado
um dia o laço da vida fica seco e remalhado
e quem pealou sem piedade e fez do mundo um rodeio
contempla a triste verdade de um laço partido ao meio
de um laço partido ao meio