quarta-feira, 30 de junho de 2010

Show de Lançamento "Daniel Ferreira"

O show de lançamento do CD "Da Alma de Quem Andeja" será nessa sexta-feira, dia 02 de julho às 20:00hrs no Teatro Municipal Pedro Parenti (Casa da Cultura) em Caxias do Sul.

Portanto indiada da serra gaúcha, vâmo se bandia pra Caxias que esse show tá com pinta de ser bueno por demais.

A gravadora é a VOZES e quem quiser ouvir a música de trabalho clique aqui.

Noite Musiqueira - 01/07

Mazááá - Juliana Spanevello - Pela Querência

Bueno, sexta-feira passada publiquei uma matéria sobre a Juliana, onde ela estaria finalizando um disco voltado totalmente a lida campeira. Um grande passo para o vocal feminino cantar nossa lida, trabalho totalmente diferenciado das demais prendas que preferem cantar nosso chão.

Nesse rancho não têm espaço para o machismo, aqui a mulherada têm seu direito adquirido e inclusive é um orgulho para todos nós apaixonados pelo Rio Grande do Sul.

Afinal, um toque feminino indiscutivelmente faz toda a diferença.

O carro chefe desse trabalho já foi liberado, chama-se "pela querência" e é buena por demais.

Sucesso pra ti guria.

Juliana Spanevello - Pela Querência


Minha querência têm várias querências
o sol atende o chamado dos galos
e acende o pampa com calma e paciência
emoldurando campeiro à cavalo
lá nas missões onde a estância inicia
o bronze canta o seu hino de fé
terra vermelha onde brota poesia
e nunca morre o ideal de Sepé.

Violão e gaita camperear pela querência
a voz do tempo a se espalhar por este chão
o pampa estampa nossa própria referência

o seu mapa é a querência do meu coração.

Tem a fronteira seus rios e cochilhas
sua influência que nos determina
campos e várzeas, rodeios, tropilhas
mesclam Brasil, Uruguai e Argentina
pela campanha a força do braço
ainda domina o bovino gavião
voam nos ventos os tentos do laço
e o cinchados não refuga o tirão.

Violão e gaita camperear pela querência
a voz do tempo a se espalhar por este chão
o pampa estampa nossa própria referência

o seu mapa é a querência do meu coração.

Na capital uma estátua demarca
um território de gente campeira
que na cidade conserva essa marca
e sua origem de campo e mangueira
no coração do Rio Grande a legenda
de quem abita a região mais central
o sul do sul com seus doces e lendas
neve na serra, sol no litoral.

Violão e gaita camperear pela querência
a voz do tempo a se espalhar por este chão
o pampa estampa nossa própria referência

o seu mapa é a querência do meu coração.

Dica para quem não viaja sem chimarrão

Tradicionalista não esquece o mate. Nunca. E se você, assim como nosso amigo Lauro Teodoro, que embarcou para a África, está pensando em viajar para o exterior e quer levar erva-mate junto.

A reportagem é de Rosane Tremea.

“Dica para quem não viaja sem chimarrão"

Como um leitor enviou e-mail perguntando, aproveito para dar a dica útil para gaúchos e outros adeptos do chimarrão. A dúvida era se há alguma restrição para levar erva-mate em viagem ao Exterior.

- A resposta da Infraero, que consultou o Ministério da Agricultura, é que não há nenhuma legislação específica sobre isso. Em geral, não há problemas, mas se o “chimarrófilo” não quiser arriscar, pode consultar o consulado ou embaixada do país para onde vai.

- A DICA é nunca transportá-la como bagagem de mão, sempre despachá-la na mala, bem acondicionada. E se o turista for interpelado lá fora, identificar a erva-mate como GREEN TEA, uma denominação reconhecida internacionalmente."

Regalo: Blog do MTG

terça-feira, 29 de junho de 2010

Programa Volmir Martins estréia na Band

O cantor, compositor e apresentador Volmir Martins estréia novo programa na Band, todos os sábados as 11h da manhã. O programa terá muitas novidades para os apreciadores da boa música tradicionalista gaúcha.

A data da estréia já está marcada! Será no dia 10 de julho.

Eles são os novos. . .

por Arnaldo Jabor

Sabe que talvez o deputado
Sério Moraes tenha razão?
A opinião pública nesse país
não serve pra nada,
nós somos uns cabeças duras,
nós não entendemos ainda
que políticos como ele,
que são a maioria na câmara
foram gerados nas belas
picaritagens municipais,
nas malandragens escusas,
nos sacos puxados,
nos golpinhos das prefeituras,
nas propinas de empreiteiros.

Nós não entendemos ainda
que eles não têm sentimentos
velhos como os nossos,
sentimentos como interesse público,
amor ao país e outras bobagens.

Nós somos bobos, não sacamos ainda
que eles moram num outro país,
um país chamado congresso,
onde que as leis são feitas
pra eles mesmos,
chamamos roubo de dinheiro público
o que pra eles é apenas um
delicioso usufruto do
maravilhoso cinismo,
da moderna falta de vergonha.

Achamos que eles foram eleitos
pra legislar, quando que eles
estão no congresso apenas
pra contruir castelos,
arrumar uma grana fácil,
empregar parentes,
pegar umas propinas,
nós não sabemos de nada.

Principalmente os que
elegeram 7 vezes Sérgio Moraes,
que responde a 8 processos,
inclusive por um suposto envolvimento
com caso de prostituição.

Por isso guarde esse nome,
Sérgio Moraes, ele é o novo,
nós já eramos.

Abaixo a opinião pública.

Mazááá - "Tô me lixando pra o povo"

Quero dividir aqui com vocês a música que Valdomiro Maicá gravou, inspirado pelo deputado federal de Santa Cruz do Sul Sérgio Moraes (PTB), que disse se lixar para o que pensa a opinião pública. “Tô me lixando pra o povo” faz parte do CD com 12 faixas, musicado pelo próprio Maicá e com letras de Salvador Lamberty, que aborda problemas nacionais e critica a classe política. A gravadora é a Vertical.

Regalo: Blog Roda de Chimarrão
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Valdomiro Maica - Tô me lixando pra o povo


Relator do caso Edmar (o deputado do castelo) diz estar "se lixando" para a pressão popular

"Parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Tanto é que nós nos reelegemos."

Não é costume aqui no blog postarmos lançamentos em mp3, mas essa é uma escessão especial, anotem ai, "Sérgio Moraes" é o deputado gaúcho e indiada, sinceramente, chega de votos pra esse loko.



LETRA DA MÚSICA

Valdomiro Maica - Tô me lixando pra o povo

Meu parceiro no congresso
o troço está muito feio
tem tanta gente aprendendo
a bota a mão no alheio
gente ganhando fortuna
e nem aparece por lá
e os eleitos pelo povo
não deixam fiscalizar

Até disse um deputado
tô me lixando pra o povo
só quero ver esse maula
me pedir voto de novo

Parceiro o povo sofrido
só resta um magro torresmo
enquanto que os deputados
vão protegendo a si mesmos
nós mesmos somos culpados
de não limpar o puleiro
deixamos essas raposas
pra cuidar do galinheiro

Até disse um deputado
tô me lixando pra o povo
só quero ver esse maula
me pedir voto de novo

Parceiro vê se me explica
tanta viagem, tanta diária
e o povo sem hospitais
sem remédio pra malária
um rombo a cada semana
e tudo fica por isso
o jeito é ficar rezando
pra volta de Jesus Cristo

Até disse um deputado
tô me lixando pra o povo
só quero ver esse maula
me pedir voto de novo

segunda-feira, 28 de junho de 2010

RESULTADO Evento da 11ªRT - Ciranda Cultural de Prendas e Entrevero Cultural de Peões

A pedido dos Leitores e com a ajuda do Berga, segue resultado dos concursos:

Gestão de Peões e Prendas Regionais 2010/2011

Prenda

Prenda Adulta
Amanda Gabana - CTG Sopro do Minuano
2ª Josiane Boff CTG Pousada do Imigrante
3ª Gessica Paoletto - CTG Tronco do Araçá

Prenda Juvenil
1ª Indiana Saugo Tedesco - CTG Rodeio da Amizade
2ª Nicoly Marcon - CTG Gaudério Serrano
3ª Danielle Dal Sant Baggio - CTG Herdeiros da Bombacha

Prenda Mirim
1ª Alexia Trento - CTG Sinuelo da Serra
2ª Giovana Dabielle Flores - CTG Sentinela da Serra
3ª Ângela Maria Mezzaroba - CTG Gaudério Serrano

Peões

Peão Farroupílha
Douglas Uiliam de Quadros da Silva - CTG Sentinela da Serra

Destaque Campeiro
Robinson José Mahl - CTG Sopro do Minuano


Destaque Artístico-cultural

Lucas Roso Rossetto - CTG Sinuelo da Serra


Guri Farroupilha
Leonardo Gustavo Rossato - CTG Gaudério Serrano

Destaque Campeiro
Hentique Vicente Centenaro Grolli - CTG Sinuelo da Serra

Destaque Artistico/cultural
Hoender Campana - CTG Laços da Amizade

Piá Farroupilha
Tiago Luigi Guadagnin Radin - CTG Pousada do Imigrante

Destaque Campeiro
Erick Luiz Guarda Miranda - CTG Rincão da Roça Reúna

Destaque Cultural
Lucas Boaretto Comacchio - CTG Laço Velho

Destaque Artístico
Fernando Varoni de Mello - CTG Laços da amizade

Chuteiras sujas de barro e de sangue

Grande prosa que li no blog do parceiro Mauro Heinrich
(ranchodostropeiros.blogspot.com).

Tem que ser assim irmão, pelear sempre e desistir jamais.

Grande quebra costela.

por Paulo Mendes

Forjados nas geadas e minuanos, nós, os gaúchos, somos chamados de bárbaros. Por causa de um primitivismo que herdamos desde cedo para sobreviver, defender as fronteiras a ferro e fogo. Por isso, também o futebol, esse esporte que se acampou na querência, é jogado aqui de forma diferente. Jogamos bem, mesmo que de bombachas arremangadas. Cansei de ver muitas botas dependuradas sobre as ancas do cavalo atado nas tramas da cerca, enquanto o peão campeiro suava e brincava correndo atrás da pelota nos gramados das várzeas verdejantes da Vila Rica.

Aqui, não costumamos jogar bonito, mas temos gana de vencer. Não corremos, escarceamos e cabeceamos como touro brabo. Nossos chutes não são refinados, sem trivelas e toques de calcanhar. São patadas mesmo, bicudos de furar a rede. Outros brasileiros, para nos desmerecerem, nos acusam de toscos, mas na hora do "pega pra capar", como nesses jogos de Copa do Mundo, nos chamam para sujar as chuteiras, ficar com as meias encardidas, sair de campo com as camisas rasgadas. Tudo porque gostamos da peleia, da briga feia, como faziam nossos antepassados de espadas e lanças na mão, de peito aberto pelas coxilhas.

Tudo isso me faz lembrar do meu primeiro time de guri, o 1º de Maio. Nosso treinador, Paulo Moreira, nos ensinava as técnicas e táticas, mas principalmente a sermos homens. Enfrentávamos jogadores mais velhos, mas tínhamos coragem e buscávamos a vitória até o último minuto. Num domingo, estreávamos um fardamento novo, jogávamos em casa. O campo, enlameado, estava arrodeado de gente, que veio de trator, carreta, bicicleta. Os Moreira estavam reunidos. Meu pai foi a cavalo, pilchado, facão atravessado na guaiaca. Eu era centroavante e queria marcar um gol para homenageá-lo. Mesmo pobre, havia vendido uma vaca leiteira para nos ajudar a comprar camisetas novas. Infelizmente, mesmo atacando muito, chutado bolas no poste, acabamos derrotados. Saímos de campo com as canelas escalavradas de botinadas, meu nariz sangrava.

Ficamos envergonhados. Alguns choravam. Foi quando o seu Paulo gritou: "Vocês não correram, alguém tirou o pé?" "Lutamos, nos matamos em campo", respondemos. Seu Paulo olhou para todos e disse: "Estou orgulhoso, foram valentes, o resultado não importa". Peguei minhas chuteiras embarradas e encarnadas de sangue, montei na bicicleta aro 24 e fui pra casa. Quando cheguei, o pai desencilhava. E me surpreendeu com a frase: "Foi bonito. Domingo que vem vamos ganhar". Aquele "vamos" me confortou. E a vida, como o futebol, seguiu dura, mas aprendi a pelear sem nunca sair do trilho, "nem que venham degolando".

Mazááá - "15º Grito Do Nativismo" - Cuidando O Campo

15º Grito do Nativismo Gaúcho /
Jaguari

Letra: Mauro Moraes
Interprete: Luis Marenco

Cuidando O Campo


Meus olhos se perdem longe, cuidando o campo e o gado
Por várzeas e coxilhões, entre horizontes dobrados
Nos meus olhos razos d'água todo este verde se estende
Imagens de encher os olhos que não se compra, nem vende!

O campo nos cobra o preçomas dá, em dobro o que tem
Verdeja a grama forquilha quando termina o azevém
Tem sempre a sabedoria que a natureza não nega
Pastorejando os terneiros, que nascem pelas macegas

Eu cuido bem do meu jeito pois sei daquilo qie falo
O campo é quem nos garante bois, ovelhas e cavalos
É sua essência de terra que me faz tão bem assim...
Eu faço parte do campo e ele faz parte de mim

São pontos rubros, no verde, o gado pampa que pasta
Eu sou e vivo esta terra, e gostar disso me basta!
Hoje meus olhos são mansos, andam no campo sem pressa
Conhecem os seus segredos onde termina e começa

Por isso que há de ficar pra cada um que virá
O amor por estes campos que a gente sempre terá...
Pois tem um fato que creio e rezo sempre pra Deus:
-Quem tem o campo no sangue, passa esse sangue pra os seus!

RADICCI

por Carlos Henrique Iotti

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Contestação

por Xirú Antunes

Antigamente, nos festivais, pós terminar as músicas, geralmente nos reunimos em algum lugar pra conversar sobre musica, poesia, para mostrar novos trabalhos, enfim, para rever velhos amigos e conviver mais.Eram tempos em que passar uma musica num festival era motivo de comemoração e esta obra era repetitivamente ensaiada, não precisava necessariamente se passar duas musicas, uma era o suficiente para nos dar um grande prazer.

As pessoas vão me chamar de saudoso, ou talvez de viver no passado, mas o fato é que havia uma sensibilidade maior diante das coisas terrunhas e a própria orientação da mídia não vinha de encontro ao folklore e a musicalidade, verdadeiras , que originaram um movimento tão rico e que esta ficando impotente diante de outros interesses que não a poesia e a musica em si.

As pessoas hoje em dia, têm mais pressa, a velocidade aumentou, os interesses recorrem a diagramações políticas e microfones. Os bloggers, twitters, my spaces, etc e tal, comandam e ditam
as relações. E as pessoas não se falam mais, apenas teclam. Tudo isso aumentou também a velocidade da composição, comprometendo sua qualidade e aumentando sua produção.

A qualquer custo os artistas querem estar na mídia, e para isso se expõem recorrendo a uma poluição visual impressionante.

Tudo isso me parece normal, não fosse diante da musica e da poesia da terra, e dos verdadeiros amigos, porque um mate será sempre um mate, com seu espírito de paciência e de encontro, seu tempo é sagrado e sagrada são as coisas do nosso Estado, a cultura e a tradição.

Acho que poderíamos desacelerar um pouco e pensarmos mais no ser do que no ter, como disse Eron Vaz Mattos.

Regalo: RadioSul.Net

ENTREVERO MUSICAL - Cesar Oliveira, Rogério Melo, Luciano Maia e Quarteto Riograndense

Mazááá - Laura Albarracín "Una de las nuevas voces del folclore argentino"

Hoje o quadro do "Mazááá" vai prosear um pouco sobre uma grande revelação do folclore Argentino, ela chama-se Laura Albarracín, é artista atuante em vários festivais Argentinos como Cosquín, Anillaco, Roldán e Paso de lo Libres. Já dividiu palco com La Negra (Mercedes Sosa) e é uma das principais influências da cantora Shana Müller.

Abaixo segue um excelente video da Laura interpretando uma chacarera, também segue a música original na voz do grupo "Los Nocheros" e de lambuja letra e tradução inédita:

Laura Albarracín - Chacarera del 55


Los Nocheros - Chacarera del 55


PIADA: Galo Gaúcho

Um fazendeiro tinha um galinheiro com 180 galinhas e estava procurando um bom galo para reproduzir. Um dia, ele vai a uma agropecuária e diz para o vendedor:

- Procuro um bom galo capaz de cobrir as minhas 180 galinhas.

O vendedor puxa uma gaiola com um galo enorme, musculoso, com a crista de pé, de topete, olhos azuis e uma tatuagem dos Rolling Stones no peito, e diz: Le va esse aqui, o Alberto Carioca. Ele não falha.

O fazendeiro leva o galo e no dia seguinte, pela manhã, solta o galo no galinheiro.

O galo sai correndo, pega a primeira galinha, e dá duas sem tirar. Pega a segunda e dá a primeira e quando está já na segunda, .... cai frito.

O fazendeiro volta na loja e grita:
- Este galo puto comeu duas galinhas e capotou.

O vendedor se desculpou e puxou outro galo: Preto, de crista amarela, olhos cinzas e tênis da Nike.

- Esse aqui é o Fernando Paulista. Não falha nunca. O fazendeiro volta com o galo e repete a história: solta o bicho no galinheiro, e o galo sai alucinado: come a primeira galinha de pé, pega a segunda e traça, na terceira ele faz o 69 e quando estava bombeando a quarta, cai morto no meio do galinheiro.

O fazendeiro, emputecido, volta na loja e diz:
- Escuta aqui, ô filho da mãe aquele galo broxa caiu morto. É melhor você me vender um galo decente ou vou tocar fogo nesta merda.

Então o vendedor puxa um galo desnutrido, sem crista nem penas, com olheiras, corcunda, com tênis bamba de lona e uma camisa que dizia "Sou do Rio Grande do Sul e tenho orgulho de ser Gaúcho" e diz ao fazendeiro:
- Olha, é só o que me resta. O nome dele é Gaúcho chegou num carregamento de QUALIDADE que veio de RS

O fazendeiro, puto da vida, leva o galo pensando: 'O que vou fazer com este galo GAÚCHO, todo franzino? Chegando na fazenda, solta o Gaúcho no galinheiro.

O galo tira a camisa e sai enlouquecido traçando as 180 galinhas de uma vez só....Da uma respirada .... e traça as 180 galinhas de novo... Sai correndo e pega a cadela pastor alemão..... Aí o fazendeiro pega ele, dá dois sopapos e para acalmá-lo, acaba trancando-o na gaiola.

- Caramba, que fenômeno! As galinhas ficaram xonadas!

No dia seguinte solta o bicho de novo. O galo sai faturando tudo que vê: a ovelha, a porca e duas vacas..... O fazendeiro corre, pega ele pelo pescoço, dá uma chacoalhada para acalmá-lo e joga ele na gaiola de novo.....

No terceiro dia, o fazendeiro encontra a gaiola toda arrebentada, as galinhas com as xanas para cima, a porca com o rabo pro sol, as ovelhinhas passando hipoglós na bunda, uma capivara mancando, e uma égua sentada no gelo..... Até que, de repente, de longe, vê o gaúcho caído no chão e os urubus voando em círculos sobre o pobre galo...

- Nããããoooo..... O gaúcho morreeeuuuuu .... o meu gaúcho ! O melhor galo do mundo!

No meio do lamento e da choradeira, cuidadosamente o gaúcho abre um olho, olha para o fazendeiro, dá uma piscadinha e diz:

- SILÊNCIO GALO VÉIO! AQUELAS MORENAS TÃO QUASE DESCENDO AQUI!


QUALIDADE E EFICIÊNCIA, SÓ NO RIO GRANDE DO SUL.

Acredite se quiser...

MTG - CFOR E Curso de Juiz de Campeira em Canguçu

O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) promove mais uma edição do Curso para juízes de campeira e Curso de Formação Básico (CFOR), nos dias 24 e 25 de julho de 2010, em Canguçu. Entre os temas abordados no CFOR, estão História do Movimento, Estrutura do MTG, Carta de Princípios e Teses Tradicionalistas. Já no Curso para juízes de Campeira, o conteúdo ministrado será regulamento, indumentária e encilhas e ética.

Os valores são R$ 30 para o Curso de Juiz de Campeira e R$ 70 para os dois. A participação no CFOR é obrigatória para quem deseja realizar o curso de campeira. Informações pelo telefone (51) 3223.5194 e pelo e-mail recepcao@mtg.org.br

Juliana Spanevello - Toque Feminino no Estilo Campeiro

Regalo: julianaspanevello.blogspot.com / Jornal Diário Popular (Pelotas)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

RADICCI

por Carlos Henrique Iotti

CONTO: O céu não é tão longe

por Sergio Faraco

Ao prender a rédea no palanque, onde paravam já outros cavalos, notou Isidoro que, na cancha de osso ao lado do bolicho, os homens o olhavam, e tais olhares, embora insistentes, não eram provocativos, antes curiosos, surpresos. Gente conhecida, peões da vizinhança que folgavam, e Isidoro, que vinha de uma estância próxima, onde capatazeava, e ia para outra mais distante – as visitas domingueiras ao mano –, estranhou essa atenção. O zunzum sobre a menina cruzara já a porta do bolicho? Afrouxou sobrecincha e cincha, aliviando o ruano. Deu uma palmada na paleta do animal, pendurou o chapéu na cabeça do lombilho e arrodeou o palanque. Da cancha, ainda o olhavam, agora com disfarce.
Três homens ao balcão.
– Buenas.
Nenhum se voltou. Bebiam. Joaninha, saindo da cozinha, murmurou algo que ele não compreendeu e imaginou ser um cumprimento.
– Como passa o senhor seu pai ? indagou à moça.
– Assim-assim.
– Continua no hospital?
Pois continuava, e derrubou o copo ainda vazio de Isidoro.
– Ai, desculpe.
Ao servir, as mãos dela estremeciam.
Os homens, que no toco Isidoro esmiudara, eram três polacos um tanto despilchados: dois de alpargatas, camisas remangadas, o outro com a túnica de um longínquo sargento, puída, sem botões, e tênis tão acalcanhados que pareciam natos já como chinelos. Admirou-se de nunca tê-los visto e, pior, não receber a saudação que se costumava dar a quem chegava, perguntando-se pelo destino e o estado do cavalo.
Era gente da cidade.
E pela estampa, gente ruim.
Na ponta do balcão, olhos baixos, ele degustava sua branquinha, e num gesto mecânico levou a mão ao coldre, na guaiaca. O revólver ficara em casa, não o carregava aos domingos. Um gole e sentiu-se menos cismado, e logo bem-disposto ao ver os polacos pagarem a bebida e se retirarem. Um deles disse à moça:
– As melhoras de seu pai, dona.
Joaninha abriu a boca, mas não se ouviu nenhum som.
– Outra – pediu Isidoro.
Ao invés de servi-lo, ela correu à porta para espiar. Isidoro a observava e ouviu o rumor das patas quando os homens ganharam a estrada, a trote. Joaninha se acercou, ofegante.
– Fuja, fuja!
– Mas que é isso, moça?
– Estão armados e dêle a perguntar pelo senhor.
– Ah é? E o que a moça disse?
– Que o senhor passava de manhã, ia visitar o irmão na Alvorada. Só depois vi o revólver... Fuja, seu Isidoro!
– Não tenho do quê, vai ver que é negócio.
– Não há de ser! Não há de ser!
– Moça preocupada com o pai...
E passou-lhe a mão no rosto, um gesto quase delicado.
Joaninha tinha 32 anos e era solteira, também dentuça, feinha, mas um mimo de mulher, se conduta e bom gênio contassem no juízo masculino. O bolicheiro desejava casá-la com Isidoro, mas este, por mulherengo, negaceava, não era de seu feitio aferrolhar-se a uma mulher e o que lhe apetecia era manter dois ou três cambichos nos puteiros de Maçambará. No entanto, a uma única mulher devia o perigo que talvez estivesse a correr.
– Não se assuste - tornou -, será algum interesse nos meus boizinhos. Em todo caso, se a moça vai se anervosear é melhor que eu leve aquela parabelo do senhor seu pai. Não que precise.
A caminho da Fazenda Alvorada, Isidoro devotava seus pensamentos a uma outra estância, a do Umbu, e figurava a caçula de Dom Romualdo Castanha, senhorita Maria Luíza.

***

Ao recorrer, com a devida licença, os campos lindeiros do Umbu, à cata de uma rês extraviada, vira o petiço na margem do arroio, amarrado a uma sina-sina, e Maria Luíza seminua, reclinada no pasto sobre a toalha. Rapariga levada. Já uma vez o provocara com requebros e nhenhenhéns, quando estivera no Itaqui para tirar um documento e visitara o pai dela. Era da raça do fósforo, bastava um risco, maiormente agora que despachara o noivo amaricado. Ia passar ao largo, mas a tentação de vê-la de perto foi mais forte.
Maria Luíza sentou-se, abraçando as pernas. O seio, encobrira com a ponta da toalha.
– O senhor por aqui, seu Isidoro?
– Eu mesmo. Desde cedo estou campeando a mocha brasina que varou o alambrado. A menina não viu?
– E que visse... Não conheço pêlo de vaca.
– Brasina é cor de brasa, malhada de escuro.
– Posso ter visto... sem ver. Não quer apear?
– Grácias, aceito.
Ao desmontar, atando a rédea na mesma arvoreta, não dissimulou uma olhadela à calcinha da menina, onde abojava aquela sombra densa. Acocorou-se à meia distância.
– Então... como passa Dom Romualdo?
– Bem. E seu patrão?
– Bem.
– Está aí?
– Não, foi ontem pro Itaqui.
– Papai foi hoje. Se estivesse aqui, eu não poderia me bronzear. Fico assim como o senhor vê, quase sem roupa.
Ele aprovou com a cabeça, embora lhe fosse difícil entender por que ela precisava se tostar ao sol da meia-tarde.
– São essas coisas...
– Que coisas, seu Isidoro?
– Bueno, coisas da vida...
Ela riu, e os alvos dentes do riso a tornavam mais convidativa. Na sina-sina, o petiço priscou, mordido pelo ruano.
– Olhe só o seu cavalo, que malvado.
– É retouço. Quem não gosta de um retouço?
– O senhor gosta?
– Eu mais que todos.
– O senhor é tão engraçado...
E riu de novo. A toalha tinha caído e Isidoro viu o seio nu, apertado contra o joelho.
– E a senhora, se desculpa o atrevimento, uma lindona.
– Acha? – e mordeu o lábio, e estirou as pernas, e nos mimosos morretes os bicos negros e eriçados pareciam apontá-lo e culpá-lo por falta de saliva. – De rosto?
– De tudo – a garganta lhe secara – e mais um pouco.
– Mais um pouco?
– Um pouco muito – e ajuntou, num arranco: – Uma dona como a senhora leva um homem até o céu.
– O senhor também, seu Isidoro?
– Mais que todos.
Ela se aproximou, de gatinhas, e tocou no braço dele.
– O céu é muito longe. Não quer ir comigo até a tapera, que é mais perto?
– Com a senhora – pôde responder, num cochicho, aturdido pelos corcovos de seu sangue –, vou até onde mora o belzebu.
Antiga morada de um posteiro, a tapera era o refúgio de um cacunda guacho que, durante o dia, esmolava na vila do Bororé. As paredes de tábua estavam prestes a tombar. Não tinha telhado, e folhas de zinco na cercania atestavam a violência do vendaval que a destampara. Tivera quatro peças, agora três com a queda de um tabique, e por tudo coalhava a flexilha, despontando no buraco das janelas. Por tudo, não. A um canto, a casita dentro da casa: uma pequena cobertura de zinco e couro, à meia altura da parede, suspensa em cada extremidade por dois pares de tramas em xis enrabichadas no chão. Debaixo, um pelego sobre tábuas e ali a menina deitou, arreganhando as coxas, as narinas a fremir como as das éguas.
E era limpa, cheirosa, e era macia. E como sabia se acomodar, espremida pelo macho, como o entrelaçava, apresilhando-o com as pernas trigueiras, como o aceitava, secretando a vereda de seu faminto abismo. E Isidoro, estuando de desejo e emoções desconhecidas, começou a descobrir que, em sua vida empachada de mulheres, era a vez primeira que veramente entrava num corpo que ansiava por seu corpo, era a vez primeira que veramente cobria uma mulher e o resto era bagaço comprado a pouco pila.
A fortuna é perversa: se dá o pão, tira o miolo.
Quando o cacunda os viu e abalou feito o gato da água, Isidoro pressentiu que sua descoberta tinha preço. De fato, na mesma semana soube que Dom Romualdo sapecara a filha, e esta, sem demora, fora devolvida à casa da cidade, à mercê da língua do povo e fadada a morrer solteira.
E agora aqueles polacos.

***

Avançava o ruano a passo, vigiado pelo passaredo na galharia que se debruçava sobre a estrada. Vinha uma jardineira ao seu encontro, com ela uma musiquinha, e Isidoro disse consigo que o peão da Alvorada, que nos domingos demandava ao bolicho por mantimentos, jornais e cartas, estava atrasado. Costumava topar com a jardineira mais cedo.
Pararam.
– Buenas – disse o peão, desligando o radinho Spica, sintonizado na Rádio Itaqui.
– Buenas.
– Como passa o senhor?
– Bem. E tu?
– Bem.
Calaram-se, por momentos olharam ao longe para algo que certamente não viam.
– E meu mano? – recomeçou Isidoro. – Guareceu do pé?
– Pois guareceu. Já hoje andou montando.
– Não dói mais?
– Diz que dói, mas menos.
– Tem que ir no doutor.
– É o que eu digo.
– Mas é xucro.
– Demais.
Isidoro dobrou a perna, repousando-a no pescoço do ruano.
– E esse tempo? Vem água pra de noite?
– E vem que vem, a formiga anda que só ela.
– Eu vi.
– Formiga não mente.
Riram. Isidoro ofereceu a fumeira.
– Tá servido?
– Como não? Já fiz o meu hoje, mas... mais um, menos um...
Fizeram os cigarros e fumaram em silêncio, com longas e prazerosas tragadas.
– Me voy – disse Isidoro, recolhendo a perna. – A formiga é sincera, mas que a manhã tá bonita, tá.
– E movimentada.
– Não diga.
– Digo. No mato aqui pra trás, perto da cruza da sanga, vi três pilungos maneados.
– Três?
– Um, dois, três.
– Um gateado e dois rosilhos?
– Encilhados.
– De que lado?
– Pro senhor, às direitas.
– E os fulanos?
– Até parei pra olhar. Não se mostraram.
Por isso se atrasou, pensou Isidoro.
– Bueno, te aguardo na Alvorada com o mate andando.
– Com muito gosto – agradeceu o peão. E para o cavalo: – Te mexe, lasqueado!
A jardineira se afastou, erguendo difusa polvadeira, e Isidoro cutucou o ruano. Inquietava-se, mas não era homem de fazer volteios diante de um aperto. De que adiantava refugá-lo? Conseguindo hoje, amanhã não conseguia e então era o caso de apurá-lo, quando menos para não passar dias e semanas no puxa e afrouxa, com prejuízo do serviço. E mais: fazia oito anos que, no domingo, ia matear com o irmão, que retribuía no seguinte. Não ia atropelar o costume, entregando as fichas àqueles sebentos.
Meia-légua adiante a estrada serpejava coxilha arriba. Além, no fim do lançante, assanhava-se um fio d’água entre pedregulho que chamavam Sanga dos Antunes, e grassava o mato pelas bandas do caminho. Quem quer que lá estivesse à espreita avistaria um ginete no topo da coxilha, mas Isidoro, a passo, seguia rumo ao seu destino.
Seguia também o dia no campo, que se abria qual um mar: a garça-vaqueira no meio do gado, a inocência estrábica dos nhandus te mirando, e te mirando também, de um moirão, o perverso quiriquiri, e o grito das saracuras num banhado, e a vigilância ruidosa dos quero-queros, e o vôo remoto dos infaustos urubus, evocando a morte, e a doçura das rolinhas-picuí a namorar num garupá, evocação da vida. Uma súbita preá cortou a estrada, em busca de seu gravatazal.
À distância, podia afetar que o ginete cabisbaixo vinha adormecido ou borracho, mas seu olhar espiolhava o cenário: acabara de ver adiante os cavalos, onde lhe indicara o peão, e os fulanos, decerto, estariam à esquerda, supondo que haveriam de surpreendê-lo. Apeou e, com o ruano a cabresto, entrou no mato, não muito, o bastante para arredar a montaria do bochincho. Com rápidas passadas retornou à orla e se ocultou atrás de uma guajuvira. Enxergava o caminho de laço a laço e, por supuesto, quem tentasse atravessá-lo. Sabiam os polacos que ele apeara ali, mas o que não sabiam nem podiam saber, porque eram da cidade, é que ninguém se move despercebido num capão cerrado: aqui vai o intruso, diz o bulício das asas nas grimpas do arvoredo.
Ao pé da guajuvira, esperou.
Eles se aproximavam e acima de suas cabeças esvoaçavam ora a juriti-pupu, a caturrita, o bem-te-vi, ora o pardalzinho, o sabiá-laranjeira, o tororó, e Isidoro crispou-se quando a revoada alcançou as primeiras árvores esparsas. Encostou a pistola no tronco e não precisou esperar mais: lá se vinham, arrastando-se entre as guanxumas. Então ignoravam que a natureza os denunciara? Divisava uma perna e era nela que lhe dormia a mira, um susto e os botava a bom galope. Mas eles trocaram de lugar e então Isidoro, a dez braças se tanto, viu distintamente apenas dois polacos.
E o terceiro?
O terceiro, ele não veria jamais.
Sentiu o baque nas costas, que o grudou na guajuvira. Intentou voltar-se, outro tiro o atingiu na nuca e ele escorregou, abraçado ao tronco, até ajoelhar-se e logo despencar de bruços na folharada.
– Alguém lhe manda lembranças – disse o homem da túnica.
Tossia, deitava sangue da boca, do nariz, mas naquele veloz instante, antes que o nada lhe carcheasse todos os pensamentos e todos os dias por viver, pôde figurar mais uma vez a caçulinha dos Castanha. Na memória da pele ainda guardava o cheiro dela, um cheiro alado que o remontava da orla do mato para um peleguito entre flexilhas, onde o deus que mandava no desejo, andando de quatro como um bicho, trazia nas ancas, em balaios de ramaria, o sabor agridoce da pitanga e os suspiros e os gemidos da menina. Não era tão longe o céu. Que lhe cobrasse a vida chica! Ao menos não a perdia por doença, mordido de coral, em salseiro numa cancha de osso ou contra a faca de um maleva encachaçado, mas pro via de um dourado corpo de mulher e com o recuerdo daquela tarde na tapera.

Regalo: www.sergiofaraco.com.br

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Quem se gostou e quiser ler a resenha escrita por Jacob Klintowitz a respeito do conto, clique aqui.

Sergio Faraco - Contos Completos

Bom, essa semana comecei a ler "Contos Completos" do advogado e escritor alegretense "Sergio Faraco". O livro é de 1995 e sua base é composta por 60 contos, dividido por partes. Na primeira estão as narrativas que se passam em outro tempo, na zona fronteiriça do estado, já a segunda parte é composta por histórias que focalizam a infância, seus dramas e valores e a terceira e última parte coloca em cena o homem na cidade grande, tentando ludibriar sua solidão.

Eu estou apenas no 7º conto, na parte mais campeira. O que mais me impressiona é a forma simples e inteligente que Faraco conduz seus contos, a linguagem é genial, fronteiriça, onde o leitor volta ao tempo e praticamente vive os causos.

Na próxima postagem publicarei um conto do Faraco titulado como "O céu não é tão longe".

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ministro da Cultura assina convênio com festivais do RS

O Ministro da Cultura Juca Ferreira vem ao Rio Grande do Sul para assinar o convênio do MinC com a ACOFEM (Associação das Comissões Organizadoras de Festivais de Música do RS) que dá suporte ao Projeto Recriar - Resgate de Festivais. O ato solene vai acontecer na próxima terça-feira, dia 29 de junho, às 13h, na Sociedade Cultural Pareci Novo, na cidade de Pareci Novo/RS.

Estão confirmadas as presenças de diversos prefeitos e secretários do Rio Grande do Sul, do primeiro vice-presidente da Câmara de Deputados, Marco Maia, que tem emprestado importante apoio ao Projeto Recriar e do Presidente da Acofem Tiago Cesarino. Após o ato, o ministro, o deputado e o presidente da Acofem vão conceder entrevista à imprensa presente.

O Projeto Recriar - Resgate de Festivais é uma derivação do Projeto Único trabalhado em anos anteriores pela Associação. Conta com o financiamento do Ministério da Cultura e contrapartidas de prefeituras das cidades onde se realizam os eventos e resgata importantes festivais no Estado, até fevereiro de 2011.

A Acofem aproveita para confirmar as datas dos festivais Minuano da Canção Nativa de São Pedro do Sul e Serra Campo e Cantiga de Veranópolis.

A 8ª edição do Minuano de São Pedro do Sul está definitivamente certa para os dias 1º, 02 e 03 de julho de 2010 e a 10ª edição do Serra Campo e Cantiga de Veranópolis foi transferida para os dias 23, 24 e 25 de julho de 2010.

O Minuano conta com espetáculos de João de Almeida Neto, César Oliveira e Rogério Melo, Dante Ramon Ledesma, Lucas Bresolin de Melo, Show com Talentos Locais e Espetáculo Internacional de Improviso – Trovas e Pajadas - com Marta Suint (Argentina); Jose Curbelo (Uruguai); José Estivalet e Moraezinho (Brasil) convidado Especial de Paulo de Freitas Mendonça.

O Serra Campo e Cantiga apresenta espetáculos especiais de César Oliveira e Rogério Melo, Jari Terres e Jairo lambari Fernandes e Mulheres Pampeanas.

Em ambos os festivais vão estar concorrendo grandes nomes do nativismo.

Além destes festivais, são contemplados pelo Projeto Recriar a Seara da Canção Gaúcha de Carazinho, Primavera do Canto Xucro de Caxias do Sul, Jerra da Canção Nativa de Santa Vitória do Palmar, Laçador do Canto Nativo de Porto Alegre, Grito do Nativismo Gaúcho de Jaguari, Canto Sem Fronteira de Bagé, Estação das Canoas de Canoas, Coruja da Canção de Capão da Canoa, Rio Grande Canta os Açores de Rio Grande, Comparsa da Canção Gaúcha de Pinheiro Machado, e uma nova ação que é o Festival de Trovas e Música Regionalista Gildo de Freitas de Bagé.

Os festivais contemplados pelo Projeto Recriar são promovidos pelas prefeituras e entidades culturais locais e a realizados pela Acofem, com o Financiamento do Fundo Nacional de Cultura do Ministério da Cultura.

Meu pago... a fronteira, o Rio Grande...

por Evair Suarez Gomez

Dia desses estava estacionado no centro da cidade (Santana do Livramento), e enquanto minha esposa e filhas faziam compras fiquei observando as pessoas que por ali passavam; moças, jovens, senhoras, senhores, adultos e crianças, gente de todas as idades, classes sociais e tribos - as tão famosas tribos. Janela do carro aberta, corri o olho e deparei-me com uma turma, todos de boina bem tapeada, alguns usavam bombachas, outros bermudas, motivo pelo qual fiquei orgulhoso. Por tratar-se de até um certo número de jovens nesta roda. Ah... meus tempos... Naquele tempo não muito longínquo, poucos arriscavam sair nas ruas assim, pilchados.

Mas voltando às tribos, essa seria a minha, os da gauchada, naquela esquina existiam também outras, por se tratar de um ponto central onde diariamente vários jovens, ao final da tarde, reúnem-se ali.

Se faziam presente os moda skatistas: bermudão, tenisão com a boca bem grande, do cinto sobrando dois ou três palmos; os pagodeiros com suas camisas cavadas, correntes grandes enfeitando o pescoço, um brinco em cada orelha, bonés; também estavam os sarados com suas camisas justas, cabelo bem tratadinho com gel... Ah... sem esquecer, é claro, da velha e boa tatuagem; também encontravam-se os “emos”, estes com suas roupas pretas, seus cuturnos, seus braceletes, gargantilhas, bem a caráter...

Cada tribo do seu jeito com seus respectivos gostos, havia murmúrio de vozes, cada um falava de suas coisas, claro que sem ser indiscreto naquilo que falavam. Eu ouvia os “emos” falando de suas bandas, músicas que nem sei pronunciar até por encontrarem-se mais perto do carro me chamaram mais a atenção. Na roda ‘’dos’’ gauchada corria um mate desses bem de fronteira - o da cuia pequena - bomba de prata, normal... mas para minha surpresa, não é que chega na roda dos “emos” outro colega “emo”, mas esse trazia o quê? O quê? Isso mesmo... O velho e bueno mate- amargo, o qual passou num gesto cordial - sinal de amizade - carinho, respeito, como se passa o velho e bueno mate-amargo... E ainda falam que não são "gaudérios" e que gostam de música americanizada. Não me venham com charamuscas. Não sei no resto do Estado, mas aqui na fronteira quanto mais fogem de suas raízes, mais se deparam com ela. E isso que nem falei do churrasco.

Regalo: RadioSul.Net

Noite Musiqueira - 24/06

terça-feira, 22 de junho de 2010

Mazááá - "18ª Ponche Verde" -Quem tem Confiança da Perna

18º Ponche Verde da Canção Gaúcha /
Dom Pedrito,

Interprete: Rogério Melo


Quem tem Confiança da Perna


Um potro se dando volta
quase me enreda nos basto
me despeguei dos meus basto
que eu não nasci pra colchão
com a rédea chata na mão
sai pisando na orelha
por certo a coisa mais feia
ao se lidar com bagual
é quando o índio sai mal
e numa bocada se ilheia

Quando o potro se aprumo
já me levo enforquilhado
e se arrasto embodocado
querendo me ganha o cueiro
não me bate o desespero
pois eu sei bem o que faço
e de puaço em puaço
vamo tenteando um bailado
porque o bruto vem calçado
num par de estrelas de aço

Cavalo metido a mal
que esconde a cara comigo
não conhece o tal perigo
ou gosta de toma pau

Quando o pingo é das confiança
mimoso dos meus arreios
com carinho boto freio
com muito jeito e cuidado
mas pra os mal acostumados
traiçoeiros, boca de grota
não me venham com lorota
que de balde não me apeio
é mango, garra e costeio
e serviço de bota em bota

Eu não sou de da culher
pra bagual corcoveador
já saco pra o corredor
e acomodo na solteira
quando a espora cortadeira
abre toca e não machuca
se levo o corpo num upa
não tem de doma moderna
quem tem confiança na perna
traz a sorte na garupa

Cavalo metido a mal
que esconde a cara comigo
não conhece o tal perigo
ou gosta de toma pau